A beleza da gratidão

     Diga obrigado. Seja gentil. Cumprimente as pessoas. Seja grato… Certamente a maioria de nós já ouviu estas recomendações vindas daqueles que nos precederam. Somos lembrados o tempo todo de que é preciso ser gentil, mesmo sem saber bem o porquê. Mas, a cada momento, fica mais e mais claro que não há como viver coletivamente, sem praticar a gentileza. E, principalmente, não há como viver coletivamente, se não soubermos retribuir a gentileza que recebemos. Esse é, sem dúvida, o ponto de partida para entender a beleza da gratidão.

Os anúncios em lugares públicos, também são grandes fontes de treinamento de cordialidade, onde, não raro, encontramos avisos soltos de “Ceda lugar aos que necessitam”, “assento preferencial para idosos”, “pedestres primeiro”… O que significa que não basta aprender a ser gentil, é preciso manter-se vigilante. A gentileza, apesar de transformadora, pode ser muito frágil quando não é considerada como uma expressão inegociável do bem viver. Mas, essa percepção, não é compartilhada por todos. Infelizmente.

É este o ponto onde estamos agora. Um momento onde uma efervescência de emoções nos toma de assalto, provocando rompantes emocionais incontroláveis, muitas vezes. Ora amamos demais. Ora detestamos sem limites. Mas, independente de qual é a emoção que nos controla, reagimos a tudo a partir de uma perspectiva individual e intransferível. O sentimento é meu e que se dane o resto… Repararam como pode ser fácil ignorar a gentileza e substitui-la por qualquer outro sentimento, desde que nos traga uma satisfação imediata?

Esta pode ser a principal razão pela qual não podemos, jamais, baixar a guarda. Se a evolução não nos fez uma espécie cordial na sua origem, que a convivência e os bons exemplos sejam responsáveis por esse feito. Criamos muitos mecanismos que nos aproximaram uns dos outros, até formarmos esses agrupamentos colossais, onde a ação de um, impacta na vida de milhares de outros. Não há como administrar isso sem criar um código que torne mais suave, a dificílima arte da convivência.

Gentileza não pode ser um ato isolado. Ser cordial, desperta gatilhos emperrados que nos levam a agir de forma semelhante criando, assim, uma coletividade onde o bem mais precioso não é ter e, sim, ser. Ser mais leve, mais disponível e, acima de tudo, ser mais grato por tudo o que as pequenas atitudes gentis podem proporcionar, seja individual ou coletivamente.

E, o melhor de tudo, não está apenas na constatação do poder da gentileza, mas, sim, naquilo que de mais potente que ela é capaz de gerar: a gratidão. Ser grato é o reflexo imediato de um ato despretensioso. Por isso, mantenha-se atento o máximo que puder. Não confunda a suavidade da gentileza, com fraqueza. Não confunda a alegria da gratidão, com bajulação. Se custa muito pouco ser gentil, ser grato custa menos ainda.

9 comentários em “A beleza da gratidão”

  1. Amei o texto! O sentimento de gratidão, mesmo nas adversidades, ajuda a seguir em frente, ajuda a ver o mundo por outra ótica!

  2. Gratidão é um sentimento transformador, né? Por isso que é bom, vez ou outra, ler um texto desses, e nos colocar pra pensar onde estamos na escala da gratidão ultimamente. 🙂

  3. “Não há como administrar isso sem criar um código que torne mais suave, a dificílima arte da convivência.” Esse trecho me lembrou imediatamente de Ensaio Sobre A Cegueira. Uma amostra perturbadora de onde podemos chegar quando esses códigos de boa convivência caem por terra (qualquer semelhança com nossa atualidade é mera coincidência). E me pego refletindo sobre nossas gentilezas diárias. Será que somos gentis por livre escolha ou por interesse no que podemos receber em troca ou ainda por não querer passar pelo julgamento de olhos alheios. Continiaríamos a sermos gentis independente de qualquer coisa que aconteça?

    “Ué! Olha ela aí destruindo sonhos e o meu texto, Brasil.” Nã-nã-não! Kkkkkkkkk
    Se trouxe essa reflexão é justamente pra que a gente se doe mais a gentileza despretensiosa e genuína. Começando conosco (bato muito nessa tecla sim) pq não dá pra criar ou entrar numa egrégora gentil e grata se não tivermos isso vivo em nós. Também não dá pra exigir retorno se a gente não praticar com os outros (nossos micro e macro coletivos). E isso eu vejo acontecendo direto. Uma vez, por exemplo, eu fui chamada de babaca no metrô (kkkkkkkkkkkkkkkk) por ter me mantido calma e plena e não permiti que me atropelassem desde antes do vagão chegar. Foi a primeira vez que fui chamada de babaca na vida e achei engraçadíssimo. Fiquei pensando nisso por horas… Em como podemos distorcer a realidade olhando os fatos só sob a nossa perspectiva.

    Ampliar do nossa visão, é muito mais fácil sermos gentis e gratos. E a felicidade que é exaltada pelos nossos poros e a energia boa que a gente expande é algo tão bom de se sentir e compartilhar…

  4. Gratidão é uma lei universal e ninguém consegue ser feliz se não cultivar esse sentimento tão forte e transformador que é a gratidão.
    Amei o texto!

    1. Obrigado, Thais. A gratidão é, sem sobra de dúvidas, a transformação que precisamos em tempos tão sombrios.

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